SEIS CONSELHOS PARA OS JOVENS VENCEREM O CONFINAMENTO

SEIS CONSELHOS PARA OS JOVENS VENCEREM O CONFINAMENTO

As psicólogas Célia Lopo e Sara Almeida desenvolveram, para o jornal Público, um conjunto de dicas para que os jovens consigam enfrentar da melhor forma este confinamento.

É natural que os jovens sintam, de uma forma mais intensa, que lhes foi colocado um travão. Deixamos as dicas para que possa dar a ler aos seus filhos, de forma a vencerem este confinamento. Foco nos teus objetivos e trabalhar o autoconhecimento são fundamentais.

Fomos — de novo — chamados a recolher, a ficar em casa e a confrontarmo-nos connosco próprios. Se num primeiro confinamento dominávamos o medo, porque ninguém sabia aquilo que podia esperar, neste confinamento a situação agudiza-se e ao medo junta-se o tédio e o cansaço extremo de meses intensos de pandemia. Por isso, este confinamento é especialmente desafiante para todas as gerações que, de uma forma ou de outra, tentam a todo o custo manter-se em funcionamento e fazer acontecer.

Apesar das consequências desta pandemia e do isolamento a que estamos sujeitos serem para todos, a verdade é que a juventude encerra muitos desafios. Por isso, se pensarmos nos jovens adultos, rapidamente conseguimos perceber que é no momento em que estavam a arriscar e a fazer as suas primeiras construções — sejam elas de ordem académica, familiar, ou profissional — que se vêem obrigados a parar e a recolher. Assim, para os jovens adultos a pandemia coincide com uma época por si só propensa a dúvidas, a medos, a tomadas de decisões e à ansiedade inerente aos processos de crescimento. Neste contexto, é natural que sintam, de uma forma mais intensa, que lhes foi colocado um travão.

Assim, para que os jovens consigam enfrentar este confinamento devem, em primeiro lugar, estar ao comando dos seus dias e continuar a trabalhar em prol dos seus sonhos, como quem, apesar do stand by em que se encontra, luta pela sua liberdade. Desta forma, para ultrapassar este novo confinamento e minimizar ao máximo o impacto que este confinamento pode ter dentro de cada jovem e no seu dia-a-dia, sugerimos:

  1. Está atento ao teu corpo, aos teus pensamentos e aos teus comportamentos — nesta fase, é natural que te possas sentir triste, irritado, cansado ou impertinente, por exemplo. Não fujas desses estados! Pelo contrário, é essencial estares atento de forma consciente aos sinais que recebes. Se os sinais aparecerem, concentra-te no que eles te estão a transmitir, tenta dar significado ao que sentes e expressar-te. Recorda-te que sempre que guardas as emoções para dentro de ti, contribuis para o teu adoecer psicológico e físico.
  2. Foca-te nos teus objectivos — apesar da sensação de vida em stand by, a verdade é que a partir de casa podes aproveitar este “intervalo no tempo” para delinear de forma clara os teus objectivos e estabelecer as metas necessárias para os atingir. Assim, para além de te focares no que queres alcançar, diminuis a sensação de estares em pausa, o que te vai trazer conforto interno e motivação.
  3. Mantém-te ligado e reforça a tua rede de relações — são as relações positivas e duradouras que nos alavancam a estabilidade e a segurança interna, por isso, mesmo à distância, mantém-te sempre conectado com todos aqueles que são essenciais para ti.
  4.  Sê flexível e tolerante — em tempos de imprevisibilidade, como aqueles que vivemos, é essencial sermos flexíveis e tolerantes connosco e com os outros, permitirmo-nos a falhar, a ter dias menos bons. Pois, sempre que nos permitimos a falhar, se tivermos capacidade de tolerar a frustração, criamos espaço à aprendizagem e a uma gestão emocional mais eficaz.
  5. Trabalha o teu autoconhecimento — uma vez que as relações com os outros estão diminuídas, é uma óptima altura para investires na relação contigo próprio, explorando os teus sinais, as tuas emoções e conhecendo os teus limites, por exemplo.
  6. Fica ao comando do teu dia — é natural que não te apeteça tirar o pijama de manhã, no entanto, mesmo que não o faças, é essencial continuares a cuidar de ti e teres um papel activo na forma como corre o teu dia. Se fores tu comandar o teu dia, a planeá-lo, voltas a ter a sensação de liberdade que um confinamento parece querer tirar-te.

No fundo, uma vez que não podemos saber quando terminará o confinamento, é essencial darmos o melhor de nós aqui e agora, focando-nos no presente e em tudo aquilo que pode aumentar o nosso bem-estar e acrescentar valor a quem somos e à forma como nos relacionamos. Se o fizermos, distanciamo-nos da imprevisibilidade do futuro e somos capazes de nos sentir livres, mesmo dentro das nossas casas.

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