Como manter o idoso ativo

Como manter o idoso ativo

Envelhecer com qualidade de vida é o grande dilema do novo século. O envelhecimento traz conquistas afetivas, emocionais e materiais, mas também consequências como a perda da sensibilidade, do controle sobre os movimentos e suas aplicações em atividades diárias básicas como se alimentar e se vestir.  O processo de envelhecimento pode permitir ao ser humano passar por novas sensações e momentos, ainda que estejam divididos entre bons e ruins. O fato natural da vida de todo indivíduo é ser levado para o envelhecimento, entretanto, essa fase pode trazer problemas para a estrutura familiar, que, muitas vezes, não sabe como ajudar, incentivar ou até mesmo melhorar o convívio entre filhos, netos e avós. O fato é que não estamos preparados para o envelhecimento, não conversamos sobre isso em casa e também não nos programamos emocionalmente e até financeiramente para essa fase. Se você tem um idoso na sua família, aproveite essa convivência – ou em casa ou em um residencial – e estimule o lado afetivo, emocional e as memórias.

Com a expectativa de vida cada vez mais alta, a população de idosos vem crescendo nos últimos anos no Brasil. Segundo censo do IBGE, hoje, eles representam cerca de 15% da população. Estima-se que nos próximos 50 anos, quase 40% dos brasileiros tenham mais de 60 anos de idade. Em maior quantidade, mais ativos e mais exigentes, mas com todas as necessidades desta faixa etária, eles demandam uma adequação dos residenciais geriátricos a estas mudanças. Diante desta realidade, a fisioterapeuta Milena Fischer, mestre em Geriatria e Gerontologia pela PUCRS, propõe algumas dicas simples para manter o idoso mais ativo e feliz – mesmo em meio a tantas dificuldades. Confira:

Estímulos: para um bebê, costumamos oferecer estímulos para que ele comece a engatinhar, caminhar, comer sozinho, etc. O idoso também precisa estar inserido em um ambiente estimulante, tanto fisicamente quanto mentalmente. Realizar atividades estimula a agilidade das capacidades cognitivas. Por exemplo: pegar um encarte de propaganda de um supermercado e comparar preços, aprender a usar ferramentas novas como a internet e as redes sociais ou aprender nova língua.

Rotina: a memória do idoso pode estar prejudicada e, para proporcionar maior segurança e organização do seu tempo, ele necessita de rotina, precisa organizar horários para as atividades do dia a dia. Dica: elabore junto com o idoso um quadro de rotina com suas atividades, horários dos medicamentos, exercícios, coloque os deveres, mas também os momentos de lazer. Lembre-se: faça esse quadro com letras grandes para facilitar a leitura e de forma lúdica. Não esqueça de deixar em um local de fácil acesso para o idoso.

Atividades: não precisa criar atividades diferentes, apenas insira o idoso nas atividades cotidianas da casa. Vai ao supermercado? Peça para o idoso ajudar na lista de compras. Está assistindo à novela? Comente com o idoso o que aconteceu, destaque o nome dos personagens, estimule a memória. Peça para o idoso separar as roupas para guardar no armário. Ajude a colocar a mesa para o almoço. Proponha diferentes atividades (dentro da sua limitação). Envolva o idoso no seu dia a dia.

Refeições: já comeu aquele prato e teve um momento de nostalgia? Lembrou de momentos e pessoas só com aquele gostinho especial? É exatamente isso que podemos fazer com o idoso. Além de manter um cardápio equilibrado e rico em nutrientes, podemos utilizar essa ferramenta para ativar a mente, o corpo e a memória. Por exemplo: convide o idoso para ir junto à cozinha (mesmo que ele não consiga ou não lembre da receita) e prepare aquela receita de família ou faça um bolo de chocolate para os netos. O idoso irá se sentir útil, será estimulado. Isso proporciona socialização e ainda ativa a memória.

Ambiente: colocar um relógio de parede com números e ponteiros grandes, um calendário e as fotografias da família na sala podem ajudar a manter o idoso orientado e familiar com aquele ambiente. A iluminação deve ser suficiente para permitir que o idoso reconheça o que e quem está ao seu lado e onde está. Quando apropriado, devemos periodicamente lembrar o idoso da hora e do local. Sempre quando for realizar algum procedimento, como trocar de roupa, se alimentar ou sair, isso deve ser explicado antes.

Vida saudável: quando falamos em introduzir exercícios na rotina não podemos nos limitar pela idade. Seja qual for o momento, desde criança, jovem, adulto ou idoso, o organismo só tem a ganhar em termos de saúde com a introdução de uma atividade física. Portanto, verifique com o médico qual a melhor atividade física para o idoso.

Reabilitação: se o idoso teve algum problema como AVC, fratura, cirurgias, perdeu peso, etc., proporcione reabilitação com uma equipe multidisciplinar para manter um envelhecimento com qualidade de vida. A fisioterapia geriátrica oferece uma melhora notável na capacidade de locomoção e equilíbrio, bem como a coordenação das funções, o aumento da força muscular e das funções da memória do idoso.

Fotos: dê uma volta ao passado, mostre fotos antigas, viaje no tempo com seu idoso. Pegue fotos do tempo do colégio e converse com ele, pergunte como foi na escola, qual professor o marcou, quem eram seus amigos. Mostre fotos de parentes, recorde momentos vividos em família, relembre a árvore genealógica. Proponha um momento de encontro com seu passado – uma forma de recordar lembranças com o idoso – e também de você saber mais sobre sua família, passando bons momentos juntos.

Música: já ouviu algum neto chegar para o seu avô e perguntar: “Vô, qual a música que você mais gostava na adolescência?”, “Qual a música que você cantava para fazer meus pais dormirem?” ou “qual a música do seu casamento?”? Imagina o turbilhão de emoções que essa recordação fará para seus avós? O gesto ainda pode ser uma excelente contribuição para a convivência multigeracional.

Podemos e devemos reinserir o idoso ao convívio social, o que possibilitará além de saúde física, sua saúde mental, fundamental para uma boa qualidade de vida. Estamos vivendo mais e precisamos acompanhar essa mudança populacional. Muitas vezes, o idoso vive de maneira isolada mesmo dentro de casa. Devemos envolvê-lo novamente no convívio social, proporcionando um ambiente estimulante e acolhedor. Além de resolver um problema populacional, irá também prevenir doenças futuras.

Envelhecer é inevitável. Mas não tem que resultar em isolamento e solidão: essas dicas, na verdade, trazem uma compreensão das dificuldades e auxílio com as tarefas diárias que, muitas vezes, se tornam mais difíceis para os idosos, uma oportunidade para a construção de relacionamento e partilha, humor e um sentido de propósito de vida, fazendo com que a passagem do tempo não comprometa a convivência. O familiar pode contribuir diariamente na manutenção da saúde e do bem-estar do idoso, vivendo momentos felizes juntos.

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